domingo, 24 de outubro de 2010

Dia comum.



O livro que eu rasguei, eu gosto. A parte que escolhi, foi sem querer. Caminhei por horas e não senti o vento. Não comi. Não senti fome. Não senti sono também. E o estômago, pra dizer a verdade, me doia. Como o do lado esquerdo, direito, me sentei, na sacada, olhando cada carro. Esperança de um deles parar aqui e você descer sorrindo. Lavei as mãos e o rosto. O dia inteiro. Era como se estar limpa pudesse adiantar algo. Escrevi. Apaguei. Rascunhei. Em uma página em branco. Sobre um menino. Que pintou minha vida de colorido. E me abandonou no dia cinzento de chuva.

E até hoje o rascunho não deletei.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Realejo.


Será que a sorte virá num realejo?
Trazendo o pão da manhã,
A faca e o queijo
Ou talvez, um beijo teu
Que me empreste a alegria, que me faça juntar
Todo resto do dia, meu café, meu jantar
Meu mundo inteiro,
que é tão fácil de enxergar, e chegar
Nenhum medo que possa enfrentar
Nem segredo que possa contar
Enquanto é tão cedo, tão cedo.
Enquanto for, um berço meu
Enquanto for, um terço meu
Serás vida, bem vinda
Serás viva, bem viva
Em mim.

Será que a noite vira num vilarejo?
vejo a ponte que levara o que desejo
admiro o que há de lindo e o que há de ser, você!


"Os opostos se distraem
Os dispostos se atraem"

domingo, 19 de setembro de 2010

Eu gosto é do antigo.


Só pra quem viveu nessa época em que as nossas avós vinham dizer palavras destas, não escritas em dicionários, fazendo com que você começasse também à utiliza-las no seu vocabulário:

Animal – pessoa muito legal ou agressiva.
Avião – mulher bonita.
Crescer o olho – cobiçar alguma coisa.
Dar um rolê – passear, dar uma volta.
Bacana – coisa legal, ou pessoa que se veste bem, rica.
Jaburu – mulher feia.
Maneiro – algo bem interessante.
Mina – garota, menina.
Na pindaíba – sem dinheiro.
Bicho – forma de tratamento.
Broto – pessoa jovem.
Chuchu beleza – bom, bem - feito.
Cricri – chato.
Morgar – ficar à toa.
Sem papas na língua – falar o que pensa.
Tchã – aquele algo a mais.

Só destes me lembro. Faça um bom uso!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sentimento...


...de forma genérica, são informações que seres biológicos são capazes de sentir nas situações que vivenciam.
Bom, pra mim tudo isso é tácito. Nenhum deles é meramente explicado, ou posto por palavras. Sentir sim, mas só sentir e se houver alguem neste mundinho que consiga explicar, seja qualquer um deles, que me explique como.


por favor.

domingo, 29 de agosto de 2010

Tempo Humano.


A noite estava fria, mas nem isso arrefeceu meu coração, parei, pensei, a imaginar em como seria se ele ficasse frio, parado. Não o consigo imaginar assim....

Esquecer não é o objetivo final, até porque quando o temos como meta a complicação pode ser ainda maior. É muito mais importante que se lide com todo o processo da dor, com as etapas naturais da dor. Apressar esse processo na maioria das vezes traz consequências ainda piores. A pessoa até acredita que superou e está bem, mas o que normalmente acontece é uma enorme recaída num momento posterior. É necessário refazer a parte da estrutura que ficou frágil e não apenas retocar.
Apesar do oposto que vivemos atualmente é importante que se respeite o tempo e a si mesmo, o tempo humano e não o tecnológico e frenético que vimos acontecer.

Novamente parei, pensei e fechei os olhos. Imaginei como seria a minha vida assim, mas a minha razão nao foi mais forte que o meu coração. Esquecer eu tento, só ainda não consigo!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ice, ice baby.


Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do tal sorvete. Uma só.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete e ir pra casa, com direito a repetir quantas vezes quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil'). Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta e a conta no fim do mês, claro!
E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar’, dai a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão. É, isso mesmo.
Às vezes dá vontade de fazer tudo “errado”.
Deixar de lado o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo.
Um dia...
Mas não agora.

Por isso, eu peço ao garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete!
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Ooº É ºoO


Tomara que a neblina das circunstâncias mais doídas não seja capaz de encobrir por muito tempo o sol. Que toda vez que o meu coração se resfriar, e a respiração se faz áspera demais, eu possa descobrir maneiras para cuidar dele. Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo me reste sempre uma brecha qualquer para ver também um pouco de céu.
Tomara que meus enganos mais devastadores não me roubem o entusiasmo para semear de novo. Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes, descalcei os sentimentos, não me tire a coragem da confiança. Que o medo exista, mas que não tenha tamanho para esconder o meu amor.
Tomara que eu não desista de ser quem sou por nada nem ninguém deste mundo. Que as mentiras alheias não confundam as verdades, mesmo que sejam impermanentes. Que, mesmo quando estiver doendo, que eu não perca de vista nem de busca a ideia da alegria.
Tomara que apesar dos apesares todos, dos pesares todos, eu continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de uma vida talvez feliz.

Tomara.

domingo, 25 de julho de 2010

De tarde.



Tinha um jeito singular de fechar os olhos quando experimentava emoção bonita, coisa de segundos e coisa imensa. Era como se os olhos quisessem segurar a beleza do instante, o suficiente para levá-la até o lugar onde o seu sabor nunca mais poderia ser perdido.
Eu via, olhos do coração abertos, e nunca mais perdi de vista o sabor desse detalhe. Porque quem ama vê miudezas com olhar suficiente pra nunca mais se perderem.



Às vezes é preciso diminuir a barulheira, parar de fazer perguntas, parar de imaginar respostas, aquietar um pouco a vida para simplesmente deixar o coração nos contar o que sabe.
E ele conta. Com a calma e a clareza que tem.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Essas épocas.


Necessariamente não tenho saudade de coisas e sim de épocas. Época tem como característica um conjunto de datas ao redor de um referencial determinado, não possuem um tempo característico delimitado.
É expansível ou flexionado, de acordo com a variável do evento referenciado.
Músicas e perfumes costumam me remeter a nostalgia de épocas.
O cheiro do café me transporta imediatamente para a sala da casa antiga da minha avó, aos cinco anos de idade.
Wild Horses dos Rolling Stones me trazem de volta as férias mais felizes da minha vida...
Saudades de cds antigos. Saudade da época em que eles estavam no topo das paradas de sucesso. Ou melhor, da minha vitrola, onde eu sentava uma tarde inteira para ouvir meus vinis!
Saudade de toda uma época inteira.
De várias delas.
Espero também um dia sentir saudade da época de agora em alguma outra época...